Na Praça das Flores, o fado devolveu a noite ao bairro

Quando a noite caiu sobre a Praça das Flores, os bancos do jardim já não tinham lugar—moradores que tinham descido para reclamar a praça ao anoitecer. A voz de Ana Margarida Prado elevou-se de um palco montado à beira do jardim e, durante uma hora naquela sexta-feira, os 1458 metros quadrados do Jardim Fialho de Almeida tornaram-se uma casa de fado ao ar livre.

O concerto de 25 de julho foi promovido pela Junta de Freguesia da Misericórdia, que tem trazido à Praça das Flores espetáculos regulares ao ar livre, como os da Banda Juvenil da Guilherme Cossoul e do Coro Rock da Junta, numa campanha discreta para manter os espaços públicos do bairro nas mãos de quem neles mora. Numa freguesia onde o alojamento local e as esplanadas disputam a noite, o fado no jardim é antes de mais um gesto de bairro.

Prado e Marco Oliveira não formam um duo ocasional. Ele compôs para o álbum de estreia dela, Laço, editado em 2024 pelo Museu do Fado com letras de João Monge; o tema “A Ver as Vistas” valeu-lhe o prémio IPMA de Melhor Performance de Fado. Oliveira, lisboeta nascido em 1988, venceu o prémio de Juvenis na Grande Noite do Fado, no Coliseu dos Recreios, com dez anos; o seu terceiro álbum, Ruas e Memórias, foi a última produção de estúdio do falecido José Mário Branco. Acompanhados por António Martins na guitarra portuguesa, alternaram versos sobre saudade, amor e alegria.

Uma hora depois, a praça voltou ao silêncio. Mas durante aquela hora, a praça foi de quem nela mora.

Deixe um comentário

Artigo anterior

Artigo seguinte

A carregar o próximo artigo…
Pesquisar
A carregar

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...

Carrinho
A atualizar o carrinho

ShopO carrinho está vazio. Visite a loja para começar.