A areia assentou nos 16,03 metros e, por um instante, as bancadas do Estádio Universitário pareciam suspensas. Quem saía da caixa de salto não era um jovem estreante. Era Nelson Évora—42 anos, nascido a 20 de abril de 1984, campeão olímpico do triplo salto em Pequim 2008—e acabava de reconquistar o título nacional que não detinha desde 2017.
O resultado de sábado nos Campeonatos de Portugal foi tudo menos uma volta de honra. Évora não competia num campeonato nacional desde 2021, quando ficou em segundo lugar atrás de Tiago Luís Pereira. Seguiram-se quase três anos de ausência total. Em junho, reapareceu no Meeting Cidade de Lisboa com uns discretos 15,42 metros. Seis semanas depois, acrescentou mais de meio metro, registando a segunda melhor marca portuguesa de 2026—atrás apenas dos 17,71 metros de Pedro Pichardo, ausente destes campeonatos. O resultado foi avançado pelo Diário de Notícias.
O salto pôs também fim a uma série de sete títulos consecutivos de Tiago Luís Pereira, que chegou aos 15,93 metros—melhor marca da sua temporada—mas ficou a dez centímetros do veterano. Évora representa agora o Juventude Ilha Verde, dos Açores, clube que ajudou recentemente a conquistar a 3.ª Divisão do campeonato nacional de clubes ao ar livre, igualmente com uma vitória no triplo salto.
Os regressos no atletismo costumam ser despedidas disfarçadas de competição. O de Évora lê-se de outra forma: aos 42 anos, a areia é ainda local de trabalho, não palco de homenagens. A areia, mais uma vez, guarda-lhe a forma.